Oremos pela Síria!

Entenda a origem da guerra na Síria e o que está acontecendo no país. Segundo estimativas, cerca de 400 mil pessoas.

Por Jadiel Marques.

Atualizado em 15/04/2018 - 0h30

Fonte: internet

Como a guerra começou?

Mesmo antes do conflito começar, muitos sírios reclamavam dos altos índices de desemprego, corrupção e falta de liberdade política sob o presidente Bashar al-Assad, que sucedeu seu pai, Hafez, após sua morte, em 2000. Em março de 2011, protestos pró-democracia eclodiram na cidade de Deraa, ao sul do país, inspirados pelos levantes da Primavera Árabe em países vizinhos. Quando o governo empregou força letal contra dissidentes, houve manifestações em todo o país exigindo a renúncia do presidente. O clima de revolta se espalhou, e a repressão se intensificou. Apoiadores da oposição pegaram em armas, primeiro para defender a si mesmos e depois para expulsar forças de segurança das áreas onde viviam. Assad prometeu acabar com o que chamou de "terrorismo apoiado por estrangeiros". Seguiu-se uma rápida escalada de violência, e o país mergulhou em uma guerra civil.

Quantas pessoas já morreram?

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, uma ONG britânica que monitora o conflito com base em uma rede de fontes locais, registrou 353.900 mortes até março de 2018, incluindo 106 mil civis. 

Os dados não incluem 56.900 pessoas que estão desaparecidas e consideradas mortas. O grupo também estima que 100 mil mortes não foram documentadas.

Enquanto isso, o Centro de Documentação de Violações, que recorre a ativistas na Síria, registrou o que avalia ser violações às leis de direitos humanos internacionais, inclusive ataques contra civis.

Foram documentadas 185.980 mortes relacionadas ao conflito, entre elas as de 119.200 civis, até fevereiro de 2018.

Do que se trata a guerra?

Agora é mais um conflito entre aqueles a favor e contra Assad.

Muitos grupos e países, cada um com suas próprias agendas, estão envolvidos, tornando a situação muito mais complexa e prologando a guerra.

Eles foram acusados de cultivar o ódio entre os grupos religiosos na Síria, colocando a maioria muçulmana sunita contra o secto xiita alauíta do presidente.

Essas divisões fizeram com que ambos os lados cometessem atrocidades, dividindo comunidades e tornando mais tímida a esperança de paz. Também permitiram que grupos jihadistas como o autodenominado Estado Islâmico e a al-Qaeda florescessem.

Os curdos sírios, que querem ter o direito de governar a si próprios mas não combatem as forças de Assad, acrescentam outra dimensão ao conflito.

Quem está envolvido?

Os principais apoiadores do governo são a Rússia e o Irã, enquanto os Estados Unidos, a Turquia e a Arábia Saudita apoiam os rebeldes.

A Rússia já tinha bases militares na Síria e lançou uma campanha militar aérea em apoio a Assad em 2015 que foi crucial para virar o andamento da guerra a favor do governo.

Os militares russos dizem que os ataques têm como alvo "terroristas", mas ativistas afirmam que regularmente morrem rebeldes e civis.  Acredita-se que o Irã tenha enviado centenas de soldados e gasto bilhões de dólares para ajudar Assad.

Milhares de muçulmanos xiitas que integram milícias armadas, treinadas e financiadas pelo Irã - a maioria é do Hezbollah no Líbano, mas também do Iraque, Afeganistão e do Iêmen - têm lutado ao lado o Exército sírio. 

Os Estados Unidos,  Reino  Unido, França e outros países ocidentais forneceram variados  graus  de  apoio  para  o  que  consideram  ser  rebeldes "moderados". Uma   coalizão   global   liderada    por   eles   também   realiza    ataques  contra

militantes  do  Estado Islâmico na Síria desde 2014  e  ajudou  uma aliança entre milícias  árabes  e  curdas  chamada  Forças Democráticas Sírias (FDS) a assumir o controle de territórios antes dominados por jihadistas.

A Turquia apoia há tempos os rebeldes,  mas  concentrou  esforços  em  usá-los para conter a milícia curda que domina a FDS, acusando-a de ser uma extensão de um grupo rebelde curdo banido do território turco.

A Arábia Saudita foi um elemento-chave para conter a influência iraniana e também armou e financiou os rebeldes. Ao mesmo tempo, Israel tem se preocupado muito com o envio de armas iranianas para o Hezbollah na Síria e tem realizado ataques aéreos para interromper isso.

Como o país tem sido afetado?

 

Além de causar centenas de milhares de mortes, a guerra incapacitou 1,5 milhões de pessoas, entre ela 86 mil que perderam membros do corpo. Ao menos 6,1 milhões de sírios tiveram de deixar suas casas para buscar refugiaram no exterior.

Líbano, Jordânia e Turquia, onde 92% destes sírios refugiados vivem hoje, têm enfrentado dificuldades para lidar com um dos maiores êxodos da história recente.

A ONU estima que 13,1 milhões de pessoas necessitarão de algum tipo de ajuda humanitária na Síria em 2018.

Os dois lados do conflito pioraram essa situação ao se recusar a permitir o acesso de agências com fins humanitários a quem precisa de auxílio. Quase 3 milhões de pessoas vivem em áreas alvos de cerco e de difícil acesso.

Os sírios também têm acesso limitado a serviços de saúde. A organização Médicos por Direitos Humanos registrou 492 ataques a 330 instalações médicas até dezembro de 2017, o que resultou em 847 profissionais de saúde mortos.

Grande parte do patrimônio cultural da Síria também foi destruído. Todos os seis locais considerados pela Unesco como patrimônio da humanidade sofreram danos significativos. Bairros inteiros foram arrasados em todo o país.

   Agosto de 2013                                                                                                                             Fevereiro de 2018

Missionários continuam pregando em região de conflito da Síria

Segundo a organização Christian Aid Mission, 230 pessoas já foram batizadas pelos missionários que atuam em meio a guerra.

 

Apesar da violenta guerra na Síria, missionários cristãos têm se dedicado a evangelizar a cidade de Aleppo, a região mais assolada pela guerra. Em cinco anos de guerra civil, ao menos 500 mil pessoas perderam a vida no conflito. O número de feridos pelo conflito pode chegar a 2 milhões de pessoas e a expectativa de vida no país caiu de 70 anos em 2010 para 55 anos em 2015.

Os missionários que trabalham no país enfrentam condições adversas, como a falta de recursos, os constantes ataques aéreos e a perseguição de radicais islâmicos. Segundo a organização Christian Aid Mission, os missionários locais têm se dedicado a batizar pessoas que aceitaram a Cristo durante o conflito. Desde o início do ano mais de 230 pessoas já foram batizadas.

Um dos responsáveis pelos trabalhos de missão no país em conflito, afirma que em um único dia 53 pessoas foram batizadas. Um dos líderes do ministério de missão no país disse a Christian Aid Mission que muitos testemunhos de conversão têm sido compartilhados e que apesar dos conflitos os missionários sentem-se alegres em poder levar Cristo para o povo da Síria.

Um dos testemunhos que chamou a atenção dos missionários foi o de uma mulher, que conta ter sonhado repetidas vezes com um desconhecido. No sonho o desconhecido anunciava a chegada de três pessoas que seriam trariam uma boa notícia. Após uma semana tendo o mesmo sonho, a equipe de missionários que atua no local visitou sua casa.

“A mulher nos contou que teve o mesmo sonho por seis dias consecutivos. E no sétimo dia, três missionários de nossa equipe bateu à sua porta para uma visita rápida. Porém, quando abriram a Bíblia, a mulher caiu de joelhos”, disse o líder do ministério de missão na Síria.

Quando a família da mulher chegou, ela relatou o sonho que havia tido e, após ouvirem a mensagem sobre a morte e ressurreição de Cristo, afirmou acreditar que o estranho que aparecia no sonho era o próprio Jesus. Tanto a mulher como toda a sua família acreditaram na mensagem compartilhada pelos missionários e agora estão sendo discipulados para saber mais sobre a vida cristã.

A ofensiva de Bashar al-Assad contra rebeldes em regiões civis da Síria já destruiu grande parte da cidade de Aleppo, incluindo cerca de 20 igrejas que foram destruídas após os ataques ter se intensificado na região. Grande parte dos cristãos que viviam na cidade deixou a região após o início do conflito.

Aqueles que permanecem em Aleppo vivem em condições extremas, pois falta recursos básicos, como alimentação, água e luz. Muitos destes dependem da ajuda enviada por entidades internacionais que atuam no país com o objetivo de diminuir os danos causados pelo conflito.

Galeria de Fotos

Como o país está dividido?

 

O governo reassumiu o controle das maiores cidades sírias, mas grandes partes do país ainda estão sob o comando de grupos rebeldes e da FDS. O principal reduto de oposição é a província de Idlib, no nordeste do país, onde vivem mais de 2,6 milhões de pessoas.

Apesar de designada como uma zona onde não deveria haver hostilidades, Idlib é alvo de uma ofensiva do governo, que diz estar combatendo jihadistas ligados à Al-Qaeda. Ataques por terra também estão em curso em Ghouta Oriental. Seus 393 mil residentes estão sob o cerco do governo desde 2013 e enfrentam intensos bombardeios, assim como uma grave falta de comida e de suprimentos médicos.

Enquanto isso, a FDS controla a maioria do território a leste do rio Eufrates, incluindo a cidade de Raqqa. Até 2017, esta era a capital do "califado" que o Estado Islâmico disse ter instaurado, mas, agora, o grupo controla apenas alguns bolsões na Síria.

A guerra vai acabar algum dia?

Não há qualquer sinal de que o conflito chegará ao fim em breve, mas todos os lados envolvidos concordam que uma solução política é necessária. O Conselho de Segurança da ONU pediu a implementação de um governo de transição "formado com base em consentimento mútuo". Mas nove rodadas de conversas de paz mediadas pela ONU desde 2014 obtiveram poucos progressos.

Assad parece cada vez menos disposto a negociar com a oposição. Rebeldes ainda insistem que ele renuncie como parte de qualquer acordo. As potências ocidentais acusam a Rússia de minar as conversas de paz ao estabelecer um processo político paralelo, conhecido como processo Astana, com a Rússia sediando um "Congresso de Diálogo Nacional" em janeiro de 2018.

No entanto, a maioria dos representantes da oposição se recusaram a participar.

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